- Olha pra mim.
- To te olhando.
- Puta merda, já tinha esquecido como os seus olhos são bonitos.
- Não fica me elogiando. Não precisa.
- Mas eu quero.
- Tá bem.
- Você sabe, por todo esse tempo eu..
- Pára, por favor.
- Por que?
- Porque esse papo não vai nos levar a nada, você sabe.
- Eu não sei.
- Sabe sim, criatura.
- Eu adoro quando você me chama de criatura. Faz eu me sentir em casa.
- Entendo.
- Como você aprendeu a ser gelado desse jeito, heim?
- Aprendi. Sei lá como. Tem tanta coisa que a gente não sabe como aprende e quando vê, paft, aprendeu.
- Você aprendeu a ficar sem eu por perto, né?
- Digamos que isso eu ainda não consegui. Sabe Deus por que.
- Deus não tem nada a ver com isso, você sabe.
- Então me diz quem tem a ver com isso. Me ajuda porque eu tô tentando entender o que aconteceu há um ano e não tenho a menor idéia.
- Eu…eu…
- Não vem me dizer que você não sabe. Quantas noites eu fiquei aqui olhando pro teto, ouvindo música, no escuro, sem roupa, pensando se eu conseguia responder uma pergunta muito simples: por que você me deixou?
- (silêncio)
- Você sabe muito bem porque você foi. Só que você não tá conseguindo admitir pra você mesmo, quem dirá pra mim.
- Por favor, não dificulta as coisas, eu não sei mesmo o que aconteceu. Fiquei fora de mim. Pirei. Você nunca teve um momento desses?
- Já tive sim. Mas eu não deixei escapar a pessoa que eu amava. Ou então, você nunca me amou. Será que é isso?
- Não mesmo. Nem pensa em uma coisa dessas. Eu te amo tanto, que você nunca vai conseguir entender. O sentimento é tão grande que eu não consigo nem colocar em palavras. Você entende isso? Eu sou o rei das palavras e não consigo achar nenhuma pra definir o que eu sinto por você. E cada dia que se passou desde que eu saí desse maldito apartamento, desde o dia em que eu me dei conta que eu não tinha mais você, desde o dia em que eu tentei de todas as formas possíveis voltar pra essa cama que a gente tá deitado agora, cada mísero dia que se passou, não teve um que eu tive tranquilidade. E agora, deitado aqui do seu lado, eu sinto tranquilidade. Eu sinto paz. Será possível que tudo isso não tá dentro de você também? Eu juro que eu não acredito.
- Claro que eu sinto ainda muita coisa…
- Não chora que me corta o coração. Não consigo ver você chorar. Não consigo imaginar ouvir os seus soluços de choro, que nem naquele dia que eu disse que tava indo embora. Todos os dias eu ficava me lembrando deles. E me odiando cada vez mais por ter provocado tudo isso em você. Não é justo. Com você.
- Você mudou.
- Você também.
- Mas eu acho que você mudou para o bem. Eu acho que eu só mudei pro mal. Fiquei mais egoísta, pensei mais em mim, esqueci dos outros. Você tá mais racional. Tá conseguindo dizer tudo o que tá entalado na sua garganta. Eu não consigo te dizer tudo o que eu quero dizer.
- Fala. Fala o que você quer dizer. Nada pode ser tão ruim assim que possa piorar.
- Eu te amo.
- To te olhando.
- Puta merda, já tinha esquecido como os seus olhos são bonitos.
- Não fica me elogiando. Não precisa.
- Mas eu quero.
- Tá bem.
- Você sabe, por todo esse tempo eu..
- Pára, por favor.
- Por que?
- Porque esse papo não vai nos levar a nada, você sabe.
- Eu não sei.
- Sabe sim, criatura.
- Eu adoro quando você me chama de criatura. Faz eu me sentir em casa.
- Entendo.
- Como você aprendeu a ser gelado desse jeito, heim?
- Aprendi. Sei lá como. Tem tanta coisa que a gente não sabe como aprende e quando vê, paft, aprendeu.
- Você aprendeu a ficar sem eu por perto, né?
- Digamos que isso eu ainda não consegui. Sabe Deus por que.
- Deus não tem nada a ver com isso, você sabe.
- Então me diz quem tem a ver com isso. Me ajuda porque eu tô tentando entender o que aconteceu há um ano e não tenho a menor idéia.
- Eu…eu…
- Não vem me dizer que você não sabe. Quantas noites eu fiquei aqui olhando pro teto, ouvindo música, no escuro, sem roupa, pensando se eu conseguia responder uma pergunta muito simples: por que você me deixou?
- (silêncio)
- Você sabe muito bem porque você foi. Só que você não tá conseguindo admitir pra você mesmo, quem dirá pra mim.
- Por favor, não dificulta as coisas, eu não sei mesmo o que aconteceu. Fiquei fora de mim. Pirei. Você nunca teve um momento desses?
- Já tive sim. Mas eu não deixei escapar a pessoa que eu amava. Ou então, você nunca me amou. Será que é isso?
- Não mesmo. Nem pensa em uma coisa dessas. Eu te amo tanto, que você nunca vai conseguir entender. O sentimento é tão grande que eu não consigo nem colocar em palavras. Você entende isso? Eu sou o rei das palavras e não consigo achar nenhuma pra definir o que eu sinto por você. E cada dia que se passou desde que eu saí desse maldito apartamento, desde o dia em que eu me dei conta que eu não tinha mais você, desde o dia em que eu tentei de todas as formas possíveis voltar pra essa cama que a gente tá deitado agora, cada mísero dia que se passou, não teve um que eu tive tranquilidade. E agora, deitado aqui do seu lado, eu sinto tranquilidade. Eu sinto paz. Será possível que tudo isso não tá dentro de você também? Eu juro que eu não acredito.
- Claro que eu sinto ainda muita coisa…
- Não chora que me corta o coração. Não consigo ver você chorar. Não consigo imaginar ouvir os seus soluços de choro, que nem naquele dia que eu disse que tava indo embora. Todos os dias eu ficava me lembrando deles. E me odiando cada vez mais por ter provocado tudo isso em você. Não é justo. Com você.
- Você mudou.
- Você também.
- Mas eu acho que você mudou para o bem. Eu acho que eu só mudei pro mal. Fiquei mais egoísta, pensei mais em mim, esqueci dos outros. Você tá mais racional. Tá conseguindo dizer tudo o que tá entalado na sua garganta. Eu não consigo te dizer tudo o que eu quero dizer.
- Fala. Fala o que você quer dizer. Nada pode ser tão ruim assim que possa piorar.
- Eu te amo.
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