Viajo até o outro lado do mundo pra te olhar. Me contento em simplesmente olhar. Já tive você uma vez. Não tenho mais.
Chego e dou um oi rotineiro, como se não me importasse. Faço a mesma cara de blasé que você me faz. Tudo igual. Tudo diferente. Converso um ou dois assuntos antes de todo mundo chegar. Finjo uma intimidade que não faz mais sentido. Sinto uma dor no peito. Um corte no coração. Um sangramento interno. Estou machucado. Você parece estar bem. Você cercou-se disso. Garantiu seu mundo a parte do meu. O mesmo erro de sempre. Fico feliz por você estar feliz. Olho o seu sorriso e sinto que passo horas olhando pros seus dentes brilhantes reluzindo na sala. Sua boca iluminada. Mas são apenas alguns segundos. E você percebe. Finge que não vê, mas eu sei que você viu. Você se desconcentra. Perde o sentido da frase que falava. Confesso uma diversão interna ao pensar que ainda te desconserto. Mas sei que é só o momento. Logo você retoma o assunto e segue adiante.
E eu fico ali, num canto. Conversando com um ou dois dos seus amigos que um dia foram meus amigos também. Num canto quieto. Olhando pra você de vez em quando. Vendo o seu sorriso rindo pra todo mundo. Rindo pro mundo. Eu fecho meu rosto. Não sinto vontade de rir. Tudo isso me dói. Tenho vontade de começar a chorar ali no meio de todo mundo. Sinto o peso do copo de cerveja na minha mão e penso em como seria simplesmente derrubá-lo. Será que conseguiria a sua atenção? Você viria limpar? Você me olharia com aquela cara que você sempre me olhava? Ou você mandaria eu me virar e pegar um pano e limpar eu mesmo a merda que eu fiz no chão.
E você viraria pro lado e comentaria com um dos seus novos amigos o quanto eu sou perturbado. O quanto você não queria que eu estivesse ali, mas o quanto a obrigação te fez me convidar. E eu ficaria no meu canto, com cara de coitado. Aquela cara que você tanto odiava. Mas nada disso mais existe.
Existe eu e existe você. E nós vamos nos encontrar de vez em quando e sempre vai ser doloroso. Pelo menos pra mim. Vou ter que largar a sua mão. Já segurei o máximo que podia. Olho você abraçando todo mundo. Você falando da sua nova rotina. Da sua nova casa. Não aguento meu ciúmes.
Finjo um cansaço que não existe e vou me despedindo aos poucos de todo mundo. Todos surpresos de eu já estar indo embora. Tenho que trabalhar amanhã, não repara. Bom te ver também. Vejo que você me vê levantado e me despedindo. Você pede desculpas e vai até a porta me esperar.
Olho com os meus olhos tristes pros seus olhos felizes. Olho bem no fundo e vejo que você também está um pouco triste. Será que você sente a minha falta? O amor verdadeiro é o amor cruel. Sinto um prazer imenso em pensar no seu sofrimento por minha causa. Fico com pena de você e do seu sofrimento.
Chego bem perto e te dou um abraço bem apertado. Ficamos os dois num dilema de quem solta primeiro. Ameaço soltar, mas você me prende mais forte. Sinto uma lágrima escorrer no meu olho. Você me solta. Se afasta. Olha com seus olhos tristes pros meus olhos felizes. E a cumplicidade se estabelece de novo. Você engasga a voz mas diz docemente "se cuida". Eu não consigo emitir nenhum som. Apenas aceno com a mão, esboço um sorriso e desço as escadas, evitando olhar pra trás. Chego no fim das escadas e me viro. Lá está você. Olhando. Brilhando. Longe de mim. Já tive você uma vez. Me contento em simplesmente olhar. Viajo de volta até o outro lado do mundo pra poder olhar pra mim mesmo.
Chego e dou um oi rotineiro, como se não me importasse. Faço a mesma cara de blasé que você me faz. Tudo igual. Tudo diferente. Converso um ou dois assuntos antes de todo mundo chegar. Finjo uma intimidade que não faz mais sentido. Sinto uma dor no peito. Um corte no coração. Um sangramento interno. Estou machucado. Você parece estar bem. Você cercou-se disso. Garantiu seu mundo a parte do meu. O mesmo erro de sempre. Fico feliz por você estar feliz. Olho o seu sorriso e sinto que passo horas olhando pros seus dentes brilhantes reluzindo na sala. Sua boca iluminada. Mas são apenas alguns segundos. E você percebe. Finge que não vê, mas eu sei que você viu. Você se desconcentra. Perde o sentido da frase que falava. Confesso uma diversão interna ao pensar que ainda te desconserto. Mas sei que é só o momento. Logo você retoma o assunto e segue adiante.
E eu fico ali, num canto. Conversando com um ou dois dos seus amigos que um dia foram meus amigos também. Num canto quieto. Olhando pra você de vez em quando. Vendo o seu sorriso rindo pra todo mundo. Rindo pro mundo. Eu fecho meu rosto. Não sinto vontade de rir. Tudo isso me dói. Tenho vontade de começar a chorar ali no meio de todo mundo. Sinto o peso do copo de cerveja na minha mão e penso em como seria simplesmente derrubá-lo. Será que conseguiria a sua atenção? Você viria limpar? Você me olharia com aquela cara que você sempre me olhava? Ou você mandaria eu me virar e pegar um pano e limpar eu mesmo a merda que eu fiz no chão.
E você viraria pro lado e comentaria com um dos seus novos amigos o quanto eu sou perturbado. O quanto você não queria que eu estivesse ali, mas o quanto a obrigação te fez me convidar. E eu ficaria no meu canto, com cara de coitado. Aquela cara que você tanto odiava. Mas nada disso mais existe.
Existe eu e existe você. E nós vamos nos encontrar de vez em quando e sempre vai ser doloroso. Pelo menos pra mim. Vou ter que largar a sua mão. Já segurei o máximo que podia. Olho você abraçando todo mundo. Você falando da sua nova rotina. Da sua nova casa. Não aguento meu ciúmes.
Finjo um cansaço que não existe e vou me despedindo aos poucos de todo mundo. Todos surpresos de eu já estar indo embora. Tenho que trabalhar amanhã, não repara. Bom te ver também. Vejo que você me vê levantado e me despedindo. Você pede desculpas e vai até a porta me esperar.
Olho com os meus olhos tristes pros seus olhos felizes. Olho bem no fundo e vejo que você também está um pouco triste. Será que você sente a minha falta? O amor verdadeiro é o amor cruel. Sinto um prazer imenso em pensar no seu sofrimento por minha causa. Fico com pena de você e do seu sofrimento.
Chego bem perto e te dou um abraço bem apertado. Ficamos os dois num dilema de quem solta primeiro. Ameaço soltar, mas você me prende mais forte. Sinto uma lágrima escorrer no meu olho. Você me solta. Se afasta. Olha com seus olhos tristes pros meus olhos felizes. E a cumplicidade se estabelece de novo. Você engasga a voz mas diz docemente "se cuida". Eu não consigo emitir nenhum som. Apenas aceno com a mão, esboço um sorriso e desço as escadas, evitando olhar pra trás. Chego no fim das escadas e me viro. Lá está você. Olhando. Brilhando. Longe de mim. Já tive você uma vez. Me contento em simplesmente olhar. Viajo de volta até o outro lado do mundo pra poder olhar pra mim mesmo.
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