28/01/2008

monólogo

Escuta, deixa eu falar. Preciso falar de uma só vez assim, do nada, senão não sai. Então não me interrompe. Não me interrompe que eu admito que não sei viver mais sem você. Me escuta e acredita que ter você é quase um sinônimo de não me ter mais. Porque eu já não sou mais eu. Eu sou nós. Eu sei que eu pedi por isso há tanto tempo. Eu não me arrependo. Longe disso. Eu adoro não ser mais eu. Depois de quase trinta anos a gente cansa de ser apenas a gente mesmo. E quer ser mais. Entende? Com você eu sou mais. Eu sou muito mais. Eu sou mais do que três ou quatro letras. Eu sou mais do que uma pessoa que anda por aí sem destino. Eu sou aquele que espera por você. E isso é um pouco triste. Mas não chora, por favor. Te peço, não chora. Pode parecer ruim, mas não é. Eu só preciso me acostumar. Depois de tanto tempo não precisando de nada e de ninguém, de repente eu me vejo ansioso, triste, alegre, cheio de esperança e até, veja que ironia, otimista. Uma avalanche de coisas, de sentimentos, de sensações que me tiram o sono sem a menor dó. Você não tem dó de mim. E eu não quero a sua pena. Eu quero o que eu já tenho. Você e eu juntos. Sou egoísta quando o assunto é você. Culpa sua. Sou ciumento quando o assunto é você. Culpa sua. A culpa é toda sua. Calma, eu não acabei. Ainda não me interrompe. Nossa, eu tenho tanto pra falar, a minha cabeça anda a milhão. Trilhões de pensamentos que se encavalam, que ficam se confundindo e me levando pra todas as direções possíveis. Mas vê, todas as direções me levam direto a você. Sem escalas. E eu não quero escalas. Eu quero você e eu. Nós. Eu sei que eu já tenho isso. E eu não preciso de mais nada. Agora a minha confusão é tanta que eu já não sei mais o sentido disso tudo. Eu olho bem dentro dos teus olhos e não sei mais por que eu comecei isso tudo. Eu olho pra você e só quero te beijar. Só quero abraçar você bem apertado. Tão apertado que você reclame de dor. E eu possa gritar bem baixinho no seu ouvido que eu amo você. Me escuta. Eu amo você.

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